quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

História e Historiadores




A procura do saber sobre as vivências humanas
A compreensão das relações entre passado e presente é uma questão intrigante. É também uma das preocupações centrais da História, disciplina que se dedica ao estudo das vivências humanas em épocas e lugares distintos. Ela investiga o que mulheres e homens de diferentes sociedades fizeram, pensaram e sentiram no decorrer de suas vidas. Como se realiza a investigação histórica?

Sentidos da palavra história
Para responder à pergunta do item anterior, exploremos um pouco os sentidos da palavra história, uma vez que ela é polissêmica, isto é, possui diversos significados. Vejamos alguns:

  • Ficção – os livros de aventura, as novelas de televisão ou os filmes de cinema contam histórias muitas vezes inventadas para despertar nossa atenção sobre determinado assunto, fazer-nos refletir ou simplesmente para nosso entretenimento. Essas histórias criadas pela imaginação humana, com seus lugares e personagens, são chamadas também de ficção. Muitas vezes, as obras de ficção são inspiradas no conhecimento de épocas passadas, como acontece em filmes e romances históricos ou em novelas de época.
  • Processo vivido – as lutas e os sonhos, as alegrias e as tristezas de uma pessoa ou de um grupo social fazem parte de sua história, de suas vivências. Assim, o conjunto dos acontecimentos e das experiências que ocorrem no dia-a-dia, tanto de uma pessoa quanto de um grupo, pode ser chamado de história vivida. Essa história integra a memória das pessoas que a viveram.
  • Área de conhecimento – a produção de um conhecimento que procura entender como os seres humanos viveram e se organizaram desde o passado mais remoto até os dias atuais constitui uma área de investigação ou disciplina denominada História. Nesse sentido, História constitiu um saber preocupado em desvendar as condições históricas das vivências humanas, ou seja, em tratar essas vivências como expressão da época em que elas ocorreram.
Esses três sentidos da palavra história estão relacionados. As histórias vividas pelas pessoas e a ficção não estão excluídas da História como área de conhecimento. As pessoas interessadas em pesquisar ou escrever sobre história ou, ainda, em ensiná-la, escolhem assuntos que podem incluir tanto a ficção quanto as histórias de uma vida.
Assim, uma pesquisa histórica sobre cultura em determinada época pode utilizar-se de obras de ficção para analisar como eram representados os lugares, as relações entre pessoas e grupos, os costumes etc. Já um estudo sobre memória envolve as recordações de experiências vividas, que são coletadas pelo historiador por meio de depoimentos.

Fontes históricas
Os historiadores trabalham, portanto, com variadas fontes em suas pesquisas. A partir delas, buscam obter informações ou indícios sobre ideias e realizações humanas no decorrer do tempo.
As fontes históricas podem ser classificadas de várias maneiras: recentes, antigas, privadas, públicas, etc. Outro critério bastante utilizado consiste em classificar essas fontes em escritas e não-escritas:
  • Fontes escritas – registros em forma de inscrições, cartas, letras de canções, livros, jornais, revistas, documentos públicos ou particulares, entre outros;
  • Fontes não-escritas – registros da atividade humana, como vestimentas, armas, utensílios, pinturas, esculturas, construções, músicas, filmes, fotografias, etc.
Outro exemplo de fonte histórica não-escrita é, como já mencionamos, o depoimento de pessoas sobre aspectos da vida social e individual. Esses depoimentos, que podem ser colhidos a partir de entrevistas gravadas pelo próprio historiador, servem para registrar a memória (pessoal e coletiva) e ampliar a compreensão de um passado recente ou da história que se está construindo no presente. É o que se chama de história oral.
Até recentemente, os historiadores utilizavam principalmente as fontes escritas para fundamentar as pesquisas históricas. Atualmente, devido ao desenvolvimento de novas tecnologias (como televisão, rádio, cinema, DVD, computador), os historiadores estão cada vez mais consultando e interpretando uma grande variedade de fontes não-escritas (imagens, sons).

Limites do saber histórico
Vimos que, com base em pesquisas, os historiadores procuram reconstituir as formas de se viver em uma sociedade. Podem, também, propor interpretações sobre como diversas ações humanas desencadearam mudanças ou tiveram continuidade, ao longo do tempo, em vários aspectos da vida pública ou privada: na economia, nas artes, na política, no pensamento, nas formas de ver e sentir o mundo, no cotidiano, na percepção das diferenças. O trabalho do historiador consiste, portanto, em perceber e compreender esses processos.
Isso significa que estudar história é uma maneira de adquirir consciência sobre a trajetória humana. Essa consciência nos permite refletir sobre o que fomos, o que somos e o que pretendemos ser. No entanto, devemos estar atentos para os limites ou problemas da interpretação histórica.
Uma questão fundamental é que a historiografia (a escrita da história), não pode ser isolada de sua época. Acreditamos que ao interpretar e escrever sua história, o historiador também vive seu tempo e seu contexto histórico. Por isso, a história que se escreve está ligada à história que os historiadores vivenciam, isto é, a seus problemas e alegrias, lutas e sonhos, valores e expectativas.
Assim, a reconstituição histórica que o historiador elabora depende de uma série de concepções que ele desenvolve. Concepções que impactam suas escolhas e “recortes”, desde a definição do objeto de trabalho (tema, método e projeto de pesquisa) até a seleção das fontes históricas a ser utilizadas.
Em consequência, as conclusões a que chegam os historiadores nunca podem ser consideradas absolutas e definitivas. O historiador trabalha para seu tempo, e não para a eternidade.
Por isso, a historiografia não deve ter a pretensão de fixar verdades absolutas, prontas e acabadas. Isso porque a história, como forma de conhecimento, é uma atividade contínua de pesquisa. Em sua origem etimológica, história deriva de historien que, em grego antigo, significa procurar saber, informar-se. História significa, pois, procurar.


Bibliografia:

COTRIM, Gilberto. História Global, Brasil e Geral: volume único, 9º edição. São Paulo: Saraiva, 2008.

5 comentários:

  1. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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  2. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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  3. intão por isso a história que ele escrever está ligada á a história que ele vive.

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